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Ambiente volúvel aumenta decisão de última hora.

Um tanto surpresos com a rapidez do processo, nos últimos dias a eleição para prefeito tornou-se tema constante entre os paulistanos. Muitos ainda se espantam ao serem informados que terão de ir às urnas já no próximo domingo.

A campanha mais curta, coincidindo com notícias relevantes no cenário nacional, em ambiente de rejeição crescente e majoritária à política e aos partidos –um em cada três paulistanos não tem simpatia por partido algum–, são fatores que afastaram a atenção dos eleitores do processo municipal.

Essa resposta tardia aos estímulos eleitorais, associada a outros fatores, favorece uma indefinição maior na decisão final do voto. Como ocorre com mais pessoas a cada eleição, muitos adiarão sua escolha definitiva até o último momento, diante da urna.

Segundo a pesquisa mais recente do Datafolha, realizada na última segunda-feira, 34% dos paulistanos que revelaram o voto admitiam a possibilidade de ainda mudar sua opção até domingo. Essa proporção cresceu em relação a 2012 – em período correspondente, alcançava 25%. Há quatro anos, mostravam-se totalmente decididos 73%, caindo agora para 64%.

À primeira vista esses números podem ser interpretados como sinais de eleitores desinteressados e dispersos em relação à política, o que não é verdade. Ao comparar as intenções de voto em São Paulo desde 1988, a taxa atual dos que pretendem votar em branco ou anular é a maior desde a redemocratização –12% na pergunta estimulada, que traz os nomes dos candidatos. Já a taxa de indecisos está entre as menores (4%), o que sugere um voto de protesto consciente.

Nesse ambiente, não é surpresa o surgimento daquele que se autodeclara o “antipolítico” na liderança, com bom desempenho inclusive nas áreas mais pobres, e um acirramento entre os demais candidatos que torna a disputa pelo segundo lugar imprevisível.

Com a popularização crescente do acesso à internet –já há 76% de usuários entre os paulistanos– a velocidade da troca de informações aumenta. Da mesma forma são mais eficientes as viralizações promovidas por militantes. Redes sociais tornam-se vetores de composição do voto de segmentos significativos da opinião pública que associam conteúdo, afinidades temáticas e posições expostas por parentes e amigos.

Na última eleição paulistana para prefeito, 20% decidiram o voto do primeiro turno na semana final, sendo que 13% o fizeram na véspera ou no próprio dia da votação.

Desta vez esses números tendem a aumentar e as últimas pesquisas, a serem divulgadas no sábado, ajudarão os eleitores na decisão final. Na comparação dos resultados com as urnas, os analistas poderão constatar esse novo elemento do comportamento eleitoral: o voto volúvel, decidido na última hora.


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