O dia das mães está chegando e que tal presenteá-la com um artigo ecologicamente correto e socialmente justo produzido por mãos de mães? O Clube de Mães do Brasil (CMB), com sede no bairro Santa Cecília (SP), desenvolve trabalhos educativos e de ordem ambiental com moradores de rua em bairros da capital e de municípios paulistas como Barueri, Poá e Cachoeira Paulista. Como o dia das mães está chegando, nada melhor que conhecer uma mãe que cuida há mais de 30 anos de cidadãos que vivem nas ruas. A educadora Maria Eulina Hilsenbeck, também fundadora do CMB, conta como foi sua vida morando nas ruas, fala do dia a dia da instituição, de Meio Ambiente e do desafio de transformar vidas.
Ex-moradora de rua, Eulina Hilsenbeck vem há décadas resgatando vidas. A educadora ao falar traz leveza e segurança na voz. Olha diretamente nos olhos das pessoas e se empolga ao falar dos trabalhos desenvolvidos pelos profissionais e voluntários da instituição. A ong desenvolve o Projeto “Mãos que Fazem” que, por sua vez, desenvolve vários outros projetos. “Vamos para qualquer lugar onde existam pessoas precisando de nós. Nossa missão é transformar mãos que pedem em mãos que fazem e a Educação é nossa ferramenta principal”.
Esse lugar, segundo Maria, pode ser a rua ou uma favela. “Alimentamos, hoje, 90 moradores de rua diariamente do café da manhã ao jantar. Também oferecemos higiene, noções de cidadania, respeito, amor e damos para cada um a oportunidade de aprender uma profissão”.
Cada uma das pessoas ajudadas pelo CMB tem sua história que vai desde envolvimento com drogas e abandonos até roubos e prisões.
Para Eulina Hilsenbeck sua força vem de várias fontes, principalmente, vem do amor e temor a Deus. Vem da fé por acreditar que se cada um fizer sua parte é possível transformar a realidades. Para ela, um dos desafios hoje é educar para a solidariedade e generosidade. E quando se quer, é possível sim transformar a realidade social excludente para uma cultura inclusiva.
Morando nas ruas há mães e filhos, adolescentes, adultos e idosos que foram parar nessa situação por diversos motivos como abandono familiar, econômico, desemprego, desajuste social, drogas e problemas de ordem psicológica. Os moradores de rua chegam até a se acostumar com a fome, o frio, falta de higiene corporal, o abandono.
Os moradores de rua que frequentam o Castelinho respeitam tanto o espaço como a presidente do CMB porque sabem de sua história. “Só quem viveu nessa condição consegue entender e compreender totalmente a dor e o sofrimento”, finalizou Maria Eulina.
Ecologia e arte
Na Oficina Profissionalizante Clube de Mães do Brasil que funciona no “Castelinho”, situado na Rua Apa, 236 (esquina Av. São João) são confeccionados materiais como bolsas, tapetes, bijuterias e lembrancinhas diversas produzidas a partir de materiais recicláveis. Os produtos aliem qualidade com práticas responsáveis de produção.
Com design diferenciado, os artigos são produzidos por grupos de mulheres que, por meio de técnicas de reciclagem, fazem bordados, crochê, mochilas, sacolas, artigos para decoração, etc. Parte da matéria prima vem de doações de empresas e/ou de parceiros.
Segundo Eulina, com a venda desses materiais é possível desenvolver novos produtos, com isso, promove-se a geração de renda. “O mais importante é que ajudamos as pessoas a resgatarem sua autoestima, a se reintegrar na sociedade. E mais, a respeitar o meio ambiente”.
Os artesanatos do CMB têm preços acessíveis e a venda é revertida para a manutenção e desenvolvimento do projeto “Mãos que fazem”.
Vida
Aos 20 anos, Maria Eulina abandonou o Maranhão para morar em São Paulo. Inicialmente, foi morar com uma prima. Poucos dias depois, estava morando em uma pensão. O dinheiro que tinha logo acabou. E, mesmo desempregada, foi despejada da pensão. Resultado: passou a morar nas ruas do Parque Dom Pedro.
Um dia, a então moradora de rua se deparou com uma senhora que estava irritada por conta do carro que acabara de quebrar, era o ano de 1975. Maria Eulina questionou-a do porquê de estar tão brava com Deus. “Ela se interessou por mim e quis ouvir a minha história”, comentou Eulina.
Vânia é o nome da pessoa que tirou Maria Eulina das ruas. Ofereceu-lhe casa e emprego na fábrica de laticínios Vigor. Após um ano, a ex-moradora de rua estava casada com o diretor da empresa, o alemão Alexander Maximillian Hilsenbeck.
Dados: moradores de rua
O Movimento dos Moradores de Rua de São Paulo calcula haver 2 mil pessoas morando nas ruas da cidade no último ano, elevando para pelo menos 20 mil o número de moradores nas ruas de São Paulo. Em 2004, quando sete pessoas que dormiam na Praça da Sé foram espancados até a morte, o número de moradores de rua era de 10 mil, de acordo com o Movimento. Portanto, em seis anos, o número de pessoas vivendo nas ruas teria dobrado.
Do ponto de vista oficial, a Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social, da Prefeitura, estima que eles sejam bem menos, conforme levantamento feito pela Fipe (Fundação de Pesquisas da USP), em 2003. O censo oficial, feito em 2000, indica que eram 8.176, mas a Fipe vai divulgar nova pesquisa e a secretaria acredita que o número deva ficar em torno dos 13 mil.
Informações
Clube de Mães do Brasil. Rua Apa, 236 – Bairro de Santa Cecília – CEP 01201-030 – São Paulo/SP. Fone: (11) 3662-1444 . E-mail: presidencia@clubedemaes.org.br. Site: www.clubedemaes.org.br .











3 comments
edjan
16 de agosto de 2011 em 11:31 (UTC -3) Link to this comment
Clenilza Carvalho
10 de outubro de 2010 em 20:29 (UTC -3) Link to this comment
Gostaria de saber se esta associação tem algum convênio com faculdades.Se tiver, como posso participar, quais requisitos para usar o benefícios.
Att.Clenilza.
Sandra De Fátima T. Robles
6 de junho de 2010 em 19:29 (UTC -3) Link to this comment