Recentemente passei pela aventura de ir até o Estado de Sergipe de ônibus. Apesar do cansaço físico por ter ficado quase 40 horas percorrendo cidades, a experiência me rendeu reportagens maravilhosas, convites para dar palestras, além de boas risadas sobre histórias cotidianas e papos com professores de áreas rurais e urbanas sobre Meio Ambiente e a Semana da Água.
Ao descobrirem ser eu jornalista, os educadores relataram informalmente os diversos problemas de esgoto a céu acerto e demais tipos de poluição de rios como São Francisco (que antes de desaguar no Oceano Atlântico passa por Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas), além de rios sergipanos como Poxim e Piautinga, respectivamente em Aracaju e em Estância.
César, educador baiano da área rural, relatou que as ações em prol da saúde ambiental (como campanhas, caminhadas e separação dos materiais recicláveis no ambiente escolar) parte dos professores que, unidos, muito insistem com seus diretores e coordenadores pedagógicos. “Raramente conseguimos a aprovação do diretor. Infelizmente, percebo que não há essa consciência da importância de se trabalhar na conscientização dos alunos sobre a preservação, por exemplo, de nossos mangues e rios. Costumo acessar sites de vários estados brasileiros e percebo que em São Paulo os gestores públicos se preocupam com a temática ambiental. O governo estadual atua com o governo municipal. As secretarias municipais de Educação e de Meio Ambiente atuam com objetivos comuns e isso é muito bom”.
Por conta da Semana da Água, visitei escolas locais sergipanas para saber como a instituição trabalhou o tema Recursos Hídricos. Isabel dos Santos Lima e Maria Lima Costa, respectivamente diretora e coordenadora do Centro Educacional Vovô Cândido, em Nossa Senhora do Socorro disseram que escolas locais precisam ter professores capacitados em Meio Ambiente. Segundo elas, o tema é muito complexo e o educador precisa estar preparado para responder aos diversos questionamentos dos alunos.
Segundo Isabel Lima, os salários do professor são baixos e, muitas vezes, ele tem de bancar os custos com o transporte e a alimentação em cursos de capacitações em outros municípios. “Na questão ambiental, nossa escola sempre toma a iniciativa. Nossos rios estão poluídos e com esgoto a céu aberto, o rio Poxim é um deles. Estimulamos professores e alunos a relacionar consumo com a escassez dos recursos naturais e com a poluição. Com a professora de arte, os alunos desenvolvem trabalhos feitos a partir de materiais recicláveis. Depois, eles são estimulados a replicar o conhecimento e a informação recebidos com seus familiares.
Encantados com a jornalista paulista (eu), Tainara, Djalmir, Leonardo, Miriam, Lorena, Irene, Sandrielly e Leonardo Vinícius – estudantes da 5ª Série – fizeram questão de mostrar desenhos e ler suas redações sobre Meio Ambiente e Recursos Hídricos. Dentre os temas abordados estavam educação ambiental, consumo, poluição (do ar, solo e das águas), queimadas, gazes de efeito estufa e desmatamentos. Para o grupo de alunos “é preciso investimentos em campanhas para conscientizar as pessoas”, “o homem é o único ser que destrói o planeta” e “é preciso investir em educação ambiental”. O rio São Francisco é muito importante para o Estado e para encerrar a Semana da Água os alunos fizeram uma maquete do rio.
Rita Fróes, professora da escola Constâncio Viera, no município de Estância, também em Sergipe, conversou comigo informalmente na praça principal da cidade. Segundo a educadora, “dá uma tristeza ver rios tão importantes para a região e para o município como Piauitinga, Real e Piauí estarem tão poluídos. “Sei que vocês lá em São Paulo têm bons projetos em meio ambiente e educação ambiental. Por que vocês não vêm aqui desenvolver trabalhos de capacitação ou fazer palestras?”, sugeriu a professora complementando logo em seguida ser muito difícil trabalhar o tem Meio Ambiente nas escolas e nas comunidades não só no município, sobretudo, na região.
Apesar da existência de muitos desafios e de problemas a serem solucionados, São Paulo vem aumentando sua credibilidade e referência no que tange ao desenvolvimento de projetos e ações que visem à qualidade de vida das pessoas e do Meio Ambiente.
Informações: Centro Educacional Vovô Cândido. Rua 55/50, número 35, bairro Taiçoca, Nossa Senhora do Socorro (SE). Fone: (79) 32545239 ou Isabel.unit@hotmail.com.











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