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12/02/2010-SP está alagada faz dois meses!


“Chove chuva, chove sem parar. Pois eu vou fazer uma prece, pra Deus, Nosso Senhor pra chuva parar…”. Só mesmo cantarolando Jorge Ben Jor pra tentar espantar do coração um pouco da dor das diversas perdas provocadas pelas fortes chuvas que têm caído sobre São Paulo há dois meses! Infelizmente, rogar a Deus não é o suficiente. É preciso mais. Muito mais. É imprescindível clamar ações de gestores públicos e, também, de cada pessoa. Recentemente, vi pela televisão que na região Pinheiros-Pirapora as enchentes e os alagamentos provocaram mais dores e sofrimentos.

A falta de piscinões, de construção de barragens, de mapeamento das áreas de risco e o excesso de lixo nas ruas agravam as cheias. Kátia Camil, chefe do Laboratório de Riscos Ambientais do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), em uma reportagem publicada no Jornal O Estado de São Paulo (24/01/2010), disse que o ideal é atualizar o mapeamento das áreas de risco a cada estação chuvosa, ou seja, uma vez por ano. O mapeamento, além de indicar as ações preventivas, é fundamental para nortear a política habitacional da cidade. O mapeamento do município de São Paulo, por exemplo, foi feito há sete anos!

Dados alarmantes

O renomado sociólogo Valério Igor P. Victorino diz São Paulo não ser mais a terra da garoa há muito tempo. “Um novo grupo musical que quisesse representar no nome o clima da cidade deveria se chamar ‘Demônios da Tempestade’ e fazer um estilo bem pesado, talvez um heavy metal inspirado no estrondo dos trovões e na fúria das tormentas tropicais que insistem em nos afligir nos últimos meses”.

Pesquisas do DAEE revelam que os 70 rios, córregos e galerias que deságuam no Rio Tietê, mais as 569 galerias pluviais e de drenagem, contêm, juntos, em torno de 367,4 mil toneladas de areia e lixo acumulados nos leitos. Como esse lixo e essa areia foram parar nesses locais? Por que continuam lá? E por que aumentam a cada dia?

Deslizamentos

Muitos geólogos afirmam que os deslizamentos de terra são fenômenos da Natureza e de difícil controle e que os deslizamentos só representam ameaças porque há pessoas morando nas encostas. Então, o que devemos fazer?

O sociólogo Valério Igor lembra que as chuvas não causam apenas danos materiais. “O tamanho do prejuízo vai desde horas de trabalho até vidas humanas, passando pelo sofrimento de quem perde tudo o que tem, mesmo quando este tudo é quase nada”. Mas, o que nós cidadãos comuns podemos fazer diante destes fenômenos climáticos extremos e de alto risco social?

“Inicialmente entender as causas. Sim, é uma ótima oportunidade para ampliarmos nossos conhecimentos sobre o meio que nos cerca. A necessidade é mãe da invenção e da ciência. Diferentemente do aquecimento global, quando se trata de enchentes nas cidades não há polêmica, pois são reconhecidos dois tipos: naturais, decorrentes da expansão dos rios sobre as várzeas; antrópicas: decorrentes do impacto do modo de ocupação do solo com usos residenciais, comerciais e industriais”, lembra Valério.

Segundo o pesquisador, o processo de urbanização transforma a superfície natural pela impermeabilização da bacia hidrográfica e pela criação de condutos para o escoamento pluvial provocando efeitos que modificam os componentes do ciclo hidrológico: Ocorre a redução da infiltração no solo; O volume que deixa de infiltrar fica na superfície, aumentando o escoamento superficial; As águas se deslocam mais rapidamente, devido á construção de condutos superficiais para o escoamento das chuvas; Com a redução da infiltração tende a diminuir o nível do lençol freático por falta de alimentação, reduzindo o escoamento subterrâneo; Devido à diminuição da cobertura vegetal ocorre uma redução da evapotranspiração.

Enfrentando o problema

Boa parte das vezes, o acúmulo de problemas parece superar os atrativos tornando difícil a percepção dos avanços conseguidos. A atuação de gestores, ongs, comunidades, empresas, dentre outros (nas bacias, na política, na educação) é uma das diversas formas de enfrentar o problema.

Posso citar aqui vários ganhos de várias ordens (educação, saneamento, comunicação, política, etc.). A exemplo, a Câmara Técnica Intermunicipal de Saneamento da Região Oeste, formada pelas cidades de Itapevi, Barueri, Jandira, Osasco, Carapicuíba, Santana de Parnaíba e Pirapora do Bom Jesus; os trabalhos de Educação Ambiental (EA) desenvolvido por diversos atores da região, etc. Isso, apesar de aparentemente lento, por si só já é um sinal de avanço.

Contudo, vale ressaltar que não haverá saldo positivo se não houver a participação, o envolvimento e o comprometimento de cada cidadão em atividades e/ou ações em prol de um meio ambiente melhor e da qualidade de vida.

A meu ver, enquanto o ser humano não se der conta de que ele é terra, fogo, água e ar e, essencialmente, enquanto o ser humano não reciclar pensamentos e ações o caminho o tão sonhado ao equilíbrio ambiental estará cheio de águas sujas, lixo… de mortes e dor – muita dor.

Link permanente para este artigo: http://www.baruerinaweb.com.br/meio-ambiente/sp-esta-alagada-faz-dois-meses

Submarino.com.br

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